Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, muitos eleitores ainda não decidiram. Casos como Master e a crise no STF reduziram o debate de propostas; confira seis dicas para avaliar candidatos.
A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a tarefa de escolher, entre tantos candidatos, aqueles mais aptos a representar os interesses da população ficou mais difícil: notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) reduziram o debate de propostas.
Assuntos em pauta nesta eleição incluem: eleitores de religiões afro que se sentem invisíveis na campanha; a determinação de que candidatos não poderão ser presos a partir deste sábado; e a rejeição de cerca de 1,2 mil registros de candidatura pela Justiça Eleitoral. Saber quem financia as campanhas, quais são as propostas de cada candidato e de que forma elas vão impactar a realidade prática de cada eleitor são estratégias para um voto mais informado e responsável.
Eu, o eleitor
Antes de avaliar propostas ou currículos, é importante olhar para si e para sua coletividade. Algumas perguntas podem orientar essa reflexão:
- A qual grupo social e econômico eu pertenço?
- Com quais ideologias e visões de mundo eu me identifico?
- Quais problemas eu espero que o Poder Público priorize?
Em política, nem sempre os interesses convergem: um empresário, um trabalhador assalariado e um profissional autônomo podem avaliar de forma distinta propostas como o fim da escala 6×1. Homens e mulheres têm urgências diferentes; as mulheres são 53% do eleitorado, mas, na atual legislatura, ocuparam apenas 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados. Não existe governo que agrade a todos o tempo todo; toda decisão política implica escolhas distributivas e administração de conflitos.
“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”
João Feres Júnior, professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ressalta que muitos eleitores não têm clareza sobre seus próprios interesses nem certeza de que os candidatos, se eleitos, os representarão de fato.
“Claro que há prioridades em relação às representações. Há partidos e candidatos que optam por atender prioritariamente aos mais pobres. Outros fazem políticas que beneficiam principalmente os mais ricos. E muitos eleitores não sabem, de fato, quais são suas prioridades. Principalmente porque, idealmente, o eleitor deve procurar se informar da melhor forma possível, mas, na prática, ele nem sempre tem acesso a informações de qualidade – principalmente quanto às boas práticas políticas, já que a imprensa está mais interessada em cobrir os escândalos”
O que faz um político?
Compreender as atribuições de cada cargo é um passo básico para evitar frustrações e reduzir chances de cair em falsas promessas — por exemplo, quando um candidato a deputado promete construir um hospital ou pavimentar ruas, obras que cabem ao Poder Executivo (presidentes, governadores e prefeitos) decidir e executar.
“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”
Essa observação é da socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB). Segundo ela, deputados e senadores têm poder para influenciar a destinação de verbas públicas e o Orçamento, mas não são responsáveis pela execução direta das obras.
A saber, compete:
- Ao Presidente da República: Exercer o Poder Executivo e a direção da administração federal; nomear e exonerar ministros de Estado e ocupantes de outros cargos da administração federal; comandar as Forças Armadas; enviar ao Congresso Nacional, anualmente, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e a proposta de orçamento; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pelo Congresso Nacional, bem como expedir decretos presidenciais que tratem da organização e funcionamento da administração federal; manter relações com Estados estrangeiros; celebrar tratados e convenções internacionais, entre outras coisas.
- Aos Governadores: Nomear e exonerar secretários estaduais; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pela Assembleia Legislativa estadual; decretar e executar a intervenção nos municípios; administrar a segurança pública no estado, inclusive nomeando os dirigentes das polícias Militar e Civil, bem como a rede estadual de ensino; os hospitais regionais e a infraestrutura de rodovias estaduais entre outras atribuições.
- Aos Deputados: O deputado federal atua no Congresso Nacional; o estadual, na Assembleia Legislativa do seu estado e os distritais, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cabe a eles, entre outras coisas, aprovar e modificar leis, fiscalizar o Poder Executivo (federal, estadual ou distrital, conforme o caso) e participar da elaboração do orçamento público (definindo para onde vão os recursos por meio de emendas e votações).
- Aos Senadores: Representar, no Congresso Nacional, a unidade federativa pela qual foi eleito; discutir, votar e aprovar leis federais; sabatinar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF),
Entender essas diferenças ajuda o eleitor a avaliar melhor promessas de campanha e a cobrar responsabilidade dos candidatos pelas ações que realmente caberão a eles, caso eleitos. Na reta final, consultar propostas, verificar fontes de financiamento e comparar o impacto prático das medidas prometidas são passos essenciais para um voto mais consciente.
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