Casos concentrados em São Paulo elevam o risco de surtos, com cobertura vacinal abaixo de 95%. A cidade recebe viajantes do mundo todo e o ciclo de incubação/transmissão dura cerca de 20 dias.
A concentração de casos de sarampo em São Paulo levanta preocupações sobre o risco de novos surtos, especialmente com a cobertura vacinal abaixo de 95%, índice considerado essencial para interromper a transmissão da doença. O infectologista Renato Kfouri destaca que a entrada de novos casos é uma possibilidade real na capital, que recebe diariamente pessoas de várias partes do mundo.
Segundo Kfouri, o ciclo de incubação e transmissão do sarampo é de cerca de 20 dias. Isso inclui 10 dias de incubação até o aparecimento dos primeiros sintomas, dois dias de transmissão antes do início da febre e mais 12 dias após o início da febre.
“Para manter o país livre do sarampo, temos dois pilares: a vacinação e a vigilância. Na vigilância, precisamos estar atentos, fazer o isolamento e a vacinação dos contatos,”
explicou Kfouri. Ele também enfatiza que, embora uma pessoa completamente imunizada não transmita o vírus, aqueles que não completaram o ciclo vacinal estão em risco real. O vírus do sarampo se espalha através de gotículas de saliva, liberadas durante a fala ou o espirro. A imunização é considerada eficaz na prevenção da transmissão quando atinge 95% da população, mas na capital paulista, atualmente, esse índice gira em torno de 75%.
Kfouri alerta que a homogeneidade da vacinação é crucial. Um bairro ou comunidade com índices baixos de vacinação pode se tornar um ponto vulnerável, propenso a surtos. A estratégia de reforço vacinal indiscriminado é vista como uma solução eficaz, pois atinge aqueles que eventualmente não receberam todas as doses necessárias.
Na Grande São Paulo, 23 dos 24 casos confirmados nesta temporada ocorreram na região, com casos importados e uma significativa cadeia de transmissão. Nos bairros da zona norte, como Vila Medeiros e Vila Maria, sete casos foram registrados, muitos relacionados a uma escola de educação infantil. Além disso, um dos casos em Guarulhos também se conecta a esse grupo.
“Infelizmente é esperado. Chegam ao país milhares de pessoas diariamente, a trabalho ou a turismo, além dos brasileiros que estiveram no exterior,”
afirmou Kfouri, referindo-se à influência de surtos recentes em países vizinhos. A dinâmica dos casos de sarampo em 2025 mostrou um padrão semelhante, com 39 casos notificados, a maioria ligada a casos importados da Bolívia.
As equipes de saúde estão preparadas para identificar os sintomas e realizar testes, enquanto as ações de vigilância continuam em andamento para conter a disseminação da doença.
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